terça-feira, março 28

Divagações

O que sufoca você? Qual é a coisa que faz com que você perca a falta de ar? Aquela coisa que você sente que precisa respirar, mas que de alguma forma, não consegue? Alguém já parou para pensar sobre isso?

Eu já. Aliás, essa talvez seja a coisa que eu mais tenho parado para pensar nos últimos anos. Que tipo de sentimentos estão afogados, ou se afogando, dentro de mim? 

Certa vez, li que são abençoados aqueles que não sentem, por não saber... E eu digo... Não, não é legal. São tantas coisas, são tantos pensamentos, são tantos sentimentos que aos poucos você vai se afogando neles, ou vai os matando aos poucos.

A cada sofrimento, a cada tropeço, você acaba vestindo um pouco mais da armadura. É como se você fosse um zumbi sentimental... Entendem? Atrás de “sentimentos” dos outros para você poder se sentir mais vivo.

Esses dois anos eu negligenciei tanto esse lado da minha vida, que eu não sei como voltar, sinto que não tem mais volta, até porque, as opções que aparecem não são coisas das quais me faça me sentir viva. Eu não quero uma pessoa que me faça despir minha roupa... Eu quero uma pessoa que me faça despir minha alma, que faça com que meu coração bata novamente... E eu sinto que... Cada ano que passa isso se torna impossível de acontecer.

E eu só vim perceber isso hoje, depois de conhecer uma história de amor – Das que dão certo, mesmo quando as pessoas querem dar errado? Pois é.

Sinto falta de ter alguém na minha vida, mas ao mesmo tempo não quero uma pessoa que apenas esteja comigo porque vai ter sexo a hora que quiser. Não, eu quero uma pessoa que acima de tudo... Esteja disposta a conversar horas a fio sem se importar com a hora, uma pessoa que ao invés de querer sexo, queira intimidade. Uma pessoa que fique.

domingo, março 26

Sensações.

Há tempos ela não desligava do mundo. Era sempre correria. Ou estava estudando ou estava trabalhando. Sentia falta da época em que acordava na hora que teria que acordar, e não por causa do despertador. Naquele domingo, ela se deu esse tempo. Pessoas necessitam de uma válvula de escape... Ela costumava falar para as pessoas.

Pegou o primeiro livro que viu na estante. Com o tempo que estava longe dessa gratificante atividade, qualquer livro serviria, mesmo aqueles que ela jamais pensaria em ler. Preparou um lanche. O dia estava com a temperatura amena, então ela pensou em ir para alguma praça para passar o tempo e simplesmente ler.

Ao chegar ao local, procurou um banco com sombra para enfim poder esquecer de tudo que estava acontecendo em sua vida. Coisas nada boas. Então ela começou a ler e logo se perdeu entre as letras do livro. Ela não estava ligando muito para isso, tanto que nem lembrava do nome do livro, só sabia que era “o livro de capa azul”, como ela escutou tantas vezes quando trabalhou na mais famosa livraria da cidade.

E, como o universo era irônico, era um livro sobre relacionamento. Algo que ela não estava precisando. Ela queria algo com “... e viveram felizes para sempre.” Afinal de contas, era ficção, e na ficção há a obrigação de se ter finais assim. E seu temor aconteceu, ela se lembrava dele. E quanto mais ela tentava se ligar nas letras e palavras e frases do livro, mais ela lembrava dele. Fechou o livro. Ficou se xingando, pois poderia muito bem ter pego seu, já muito usado, exemplar de Nárnia, mas nem lá o final é tão feliz assim. Poderia ter pego Crepúsculo, mas ela nem se lembrava mais onde estavam guardados os exemplares.

Com o tempo a leitura ficou em segundo plano. Se levantou do banco e foi se sentar perto de uma árvore para que pudesse fazer seu lanche em paz. Não era nada muito requintado, basicamente um sanduiche com um suco. Se encostou na árvore e mesmo não querendo, ficou se lembrando do último ano. O relacionamento, que ela pensava que era forte, estava ruindo e ela nem sabia o motivo. Se culpava por estar trabalhando demais e estudando também, mas ela se recusava a acreditar que ele seria assim tão mesquinho.

Enquanto pensava, estava ouvindo músicas aleatórias. Lágrimas vieram aos seus olhos quando tocou a música que ele havia cantado para ela nos primeiros meses de namoro. O sentimento que ela tinha por ele era tão forte... Era tão... Sincero... E novamente ela estava com aquela sensação de aperto no peito. Novamente ela estava na mesma situação que ela se prometera nunca mais estar... Um leve desespero de ver que, mais uma vez, seus sonhos de formar uma família estavam ruindo. Se havia algo nesse tal amor que ela detestava, era que ele não podia ser controlado. Ela odiava isso.

Engoliu o choro com um gole grande de suco e fechou os olhos. Enquanto estava de olhos fechados com a cabeça encostada em suas pernas, ficou prestando atenção aos sons a sua volta. Há algum tempo ela treinava isso. Algumas pessoas passeavam tranquilamente, outras brincavam com seus cachorros e outras simplesmente caminhavam.

Um desses caminhar ela estranhamente sabia que era familiar. E aquilo deixou seu coração batendo mais forte. A última coisa que ela queria era ter que lidar com algum conhecido. Porém, os passos simplesmente foram se distanciando, para seu alivio. Quando deu por si, notou que estava chorando. Outra coisa desse tal amor que ela não gostava... Chorar. Mas a verdade era que ela estava triste havia meses. Todos os sorrisos que dava eram uma máscara.

Sem querer passar mais vergonha, ela levantou e foi se dirigindo para casa. Tinha sorte de que sua casa não era muito longe, logo, ela sempre que podia, ia a pé. Estava chegando em seu apartamento quando notou que havia esquecido a porta destrancada. Ficou com mais raiva de si mesma. Era para ser um dia para descansar, e não para lembrar da sua mais dolorida lembrança. Jogou as chaves no pote que havia no móvel da sala, jogou o livro em cima do sofá e foi para o quarto para tomar banho. Ao passar pelo mini escritório, tomou um susto.

Havia um grande arranjo de Margaridas, suas flores preferidas, em cima da mesa. Ela entrou com uma estatua pequena que tinha perto caso alguém ainda estivesse no cômodo. Não havia ninguém. O arranjo estava centralizado. Ele tem mania de perfeição – ela começou a pensar e logo balançou a cabeça, já que era impossível ele estar ali. Naquela hora ele estava do outro lado do mundo. Suspirou e pegou o cartão. Nem precisava ver o nome, ela conhecia a letra.

Enquanto lia, lágrimas rolavam por seu rosto. Lágrimas essas que ela tentava, em vão, controlar. O cartão com palavras lindas, daquelas que cortam seu coração aos poucos. Há cada palavra lida, seu coração doía mais. Como foi que ela deixou seu relacionamento chegar aquela situação? Ela sentia falta dele, sentia falta da organização exagerada dele, sentia falta dele reclamando dela por ser tão bagunçada em casa, ela sentia falta de ver como ele arrumava a mesa que estava enquanto falava ao telefone... E principalmente sentia falta das conversas madrugada a dentro, o que as vezes, eram mais importantes que o próprio sexo, o que aliás, ela sentia falta também. 

Cada pedaço do corpo dela sentia falta dele. Ele havia mandado aquele arranjo, com aquele cartão... Foi quando ela se levantou num susto. O cartão estava escrito à mão. Isso quer dizer que ele mesmo escreveu, pois ela reconhecia aquela letra perfeita. Isso quer dizer que ele estava na cidade. Que ele havia estado no apartamento... Mas... Por que ele não havia esperado? Por que ele não havia telefonado? Por que... 

- Oi! – Ela escutou atrás de si. Sentou como se todo sangue do seu corpo havia sumido. Se recusou a se virar. – Não vai se virar? – Ela sentiu as mãos dele em seu ombro.

Balancou a cabeça dizendo não. Estava com medo de que tudo aquilo fosse um sonho e que, quando se virasse e visse seus cálidos olhos castanhos, ela acordasse assustada, como muitas vezes aconteceu.
Ele apertou mais forte, porém ainda suave, seu ombro e foi abraçando aquela mulher que estava na sua frente. Por alguns meses ele sentiu falta dela, tanto que havia se tornado respirar. E ele a conhecia, sabia que ela estava se sentindo sozinha. Logo ela que detestava se sentir assim e isso o machucava. E para poder preservar seu beija-flor, ele cada vez menos entrava em contato com ela. Não enquanto não resolvesse o que fazer. O cargo dele, presidente regional de uma grande multinacional, poderia trazer estabilidade financeira, mas não podia deixa-lo perto dela que em tão pouco tempo havia tomado conta de cada célula de seu corpo. Então... Depois de seis meses, não foi difícil tomar a decisão. Ele só precisou esperar seu substituto chegar.
Ao ve-la entrando pela porta, sabia que havia tomado a decisão certa. Ele a virou lentamente.

- Abra os olhos. Eu estou aqui. Com você.
- Você não entende... Sonhei tanto com isso que eu estou com medo de que... – Ela não conseguia terminar de falar. Lágrimas rolavam novamente pelo seu rosto. E ele sabia que ela se culpava. Tola. Era por isso que ele a amava tanto.

Antes que ela sequer pudesse pensar em mais alguma coisa para falar, ela sentiu o calor dos lábios dele nos seus. Um beijo que ela desejava mais que tudo. 

Naquele momento, não havia mais nada, apenas duas pessoas e um só coração.

quinta-feira, março 16

Crítica: A bela e a fera.

Quando foi anunciado o filme de A bela e a fera minhas expectativas estavam altíssimas até saber quem faria o trio principal. Vejam, o ator que deu vida à fera, é bonito e tudo, mas poderia muito bem ser o Gaston e o Luke Evans ser a Fera, ele e a Emma Watson combinaram muito melhor em cena.

Em relação à Emma Watson, ela interpretou uma Bela que era uma mistura de Hermione, Sam e Nicki. Uma personagem de características fortes e determinada, que se sentia perdida e incrivelmente sozinha... E muitas vezes teimosa... Ou seja, a Bela perfeita. Ela tirou a ingenuidade exacerbada que há na personagem animada e manteve o que de melhor ela possuía. Realmente, das bruxas de sua idade... (OBS: Há uma sutil referência à Harry Potter no filme). A Fera... Era apenas um príncipe mimado acostumado a ter tudo de mão beijada e muito, muito rabugento. Sarcástico e engraçado. Triste e enfim conhecemos o motivo de ele ser assim, e acreditem, NÃO É por ele ser um príncipe. Quanto ao Gaston foi a mudança mais gritante em relação ao trio principal. Enquanto no desenho ele era apenas egocêntrico ao extremo, no filme vemos um homem com estresse pos-traumático depois de anos de guerra (Não ficou claro qual guerra, mas desconfio que seja a Guerra dos 100 anos) que procura um novo motivo para viver e encontra na repulsa de Bela um desafio pessoal. Ele não chega a ser TÃO egocêntrico como no desenho, e demonstra um pouco de mau-caratismo (Não gostei muito disso).

Quanto aos personagens secundários como Maurice e Lefou (A GRANDE polêmica) tivemos mudanças maiores que no trio principal. O filme deu uma GRANDE explicação (Bem positiva por sinal) do motivo de Maurice ter se mudado com a filha para o interior da França. Gostei de vê-lo bem mais participativo no filme. E chegamos ao Lefou. Muito tem se falado sobre a sexualidade dele... E afirmo... é algo tão sutil, mas TÃO SUTIL que se não tivesse vindo à tona toda a história, ficaria subentendido. A meu ver tiraram dele a característica de ser um mero puxa saco; nota-se que ele ADMIRA Gaston, mas não é cego ao verdadeiro caráter dele e vai mudando de opinião à medida que a trama se desenrola, o que eu gostei muito de ver. Ele se tornou um dos personagens mais ricos historicamente falando, pois se o colocarmos na época do filme, ele fora obrigado a ser da forma que é para poder simplesmente viver (Ambientaram o filme durante a fase da Peste negra, o que eu achei superinteligente).
Um filme ou melhor, musical, que abusa (Até demais – Não vejam em 3D, estraga boa parte da fotografia) dos efeitos visuais, principalmente nos objetos do Castelo como Lumiere, Horloge e Madame Samová. Os detalhes nos três são impressionantes, e visualmente lindos. E o castelo? Deslumbrante.

Meus pontos negativos são bem particulares. Como em 91 eu assisti dublado e toda a minha referência da história é dublada, fui assistir dublado. Como já havia falado anteriormente, não gostei das mudanças nas letras das músicas. Acho que em muitas delas, principalmente na música principal, ficaram chatas e com muitas pausas (Isso vale para a versão original) e a dubladora da Bela, definitivamente NÃO FUNCIONOU. Sim, eu não estou falando bem da dublagem de um personagem. Creio que se tivessem chamado os dubladores originais tudo seria muito melhor. A Disney errou e errou feio na hora da escolha do elenco. Para quem for assistir dublado afirmo, o filme REALMENTE só começa a prender com “À vontade”. Depois de ver Lumiere cantar (E foi a partir desta cena que comecei a chorar) que tudo melhora, até este ponto do filme, achei bem monótona a história. Ao ponto de ser chata.

Para quem só conhece a versão da Disney digo que este filme é uma mistura do desenho, do musical da Broadway (O que aliás a Disney perdeu uma oportunidade DE OURO em não colocar “Sem ter esse amor” no filme. Se não conhecem a música procurem no You tube) e da história clássica original, o que ao final acabou funcionando de verdade. A base é claro, ficou com a versão da Disney. Ignorem o figurino da Bela... O do desenho é muito mais bonito, tirando o vestido de baile que está perfeito.

O filme prega uma peça conosco momentos antes do GRANDE FINAL que para os mais emotivos (Como esta que vos escreve) será surpreendente, pois se não fosse uma participação bem especial teríamos um final completamente diferente. A meu ver é bom, porém, vejo que se a Disney tivesse seguido a linha que seguiu em Malévola teríamos um grande clássico reformulado e arrebatador. Músicas clássicas e algumas novas, cenários belíssimos e efeitos visuais dão ao filme o sucesso que ele merece. Afinal de contas... É Disney, que mesmo errando em algumas coisas, ainda nos faz sair da sala de cinema desejando uma noite de baile com a do filme.