Domingo, Maio 27

Apenas um sonho!


Segundo Dumbledore, quando sonhamos entramos num mundo que é somente nosso. Mas... Quando sonhamos com alguém que não conhecemos, de novo, de novo e de novo? E sentimos como se felizmente aquele sentimento, aquele bonito sentimento que todos nós procuramos, enfim, chegou às nossas vidas? E que ele é mais real do que quando estamos acordados? A pior parte disso, é sonhar sempre com essa pessoa... SEMPRE.

Desta vez, você foi apresentado a mim através de uma amiga minha... Em uma festa! Você estava de cabelos curtos... Seu sorriso continuava o mesmo, claro... É a única coisa que eu vejo perfeitamente bem de você (Acho que é por isso que, qualquer pessoa que tenha o sorriso perfeito, eu ache bonita) e você foi ao meu encontro, sabia que eu estava nervosa, por estar fazendo A prova... Aquela que me mete pesadelos desde 2006... Você apareceu de surpresa! O engraçado, que o lado de fora do local do concurso era uma praia... Perto de uma cidade, e eu? Estava sentada em uma pedra, estudando e você simplesmente chega me abraçando. O estranho de tudo isso? É que, mesmo tendo nos conhecido a pouco tempo, sabíamos que poderíamos ter esse tipo de comportamento! E me beijava para me acalmar.

É isso que me mata todas as vezes que eu sonho com você! Saber que você não é real, que provavelmente, é criação da minha cabeça maluca... Deus... Como eu queria que você fosse real.
Vanessa.

Segunda-feira, Maio 7

Romance em Nova Iorque


Geralmente filmes românticos têm perdido sua qualidade nos últimos anos. É difícil encontrar um romance que envolva uma pitada de comédia e emoção ao mesmo tempo. Talvez, as pessoas contem nos dedos de uma mão os filmes que realmente valem a pena.

Em 2007, Edward Burns (Vestida para casar) apareceu com “Segunda chance para o amor” e me fez mudar um pouco de opinião quanto ao gênero. Engraçado, é que muitas pessoas, ao olhar para algum filme dele, pensa que ele é apenas mais um ator bonito medíocre que faz pontas em filmes importantes. Felizmente, não é bem assim.

Em “Segunda Chance para o Amor”, Patti (Selma Blair – Segundas Intenções) é uma escritora em ascensão, enfrentando uma crise no casamento, que descobre que um antigo amor de sua melhor amiga, é o melhor amigo de seu primeiro amor, Brian Callahan (Patrick Wilson – Whatchman), um famoso escritor que está tentando escrever algo que, para ele, faça algum sentido. Enquanto isso, Murphy (Edward Burns) luta para se livrar do alcoolismo e tentar recuperar a confiança de seu antigo amor (E melhor amiga) Kate (Debra Messing – Uma ótima atriz sem o devido valor).

O filme une duas coisas que estão intrinsecamente ligadas, a literatura e o cinema, e talvez por isso mesmo, chame tanto a atenção de pessoas com gostos sofisticados e para aquelas pessoas que gostam de um bom romance. Hoje não se imagina o cinema longe da literatura, e os dois personagens principais sendo escritores, torna o filme prazeroso aos espectadores.

A fotografia não podia ser mais urbana: Nova Iorque no inverno, a estação dos grandes amores. O bom do filme é justamente isso. Pessoas que, mesmo decepcionadas com suas vidas, não desistem, se permitem novas experiências (Coisas que na vida real dificilmente acontece) e quem sabe ser feliz de alguma forma.

As personagens da Selma Blair e da Debra são um exemplo disso. Kate completamente magoada com Murphy reluta em aceitar a sua mudança, mas acaba cedendo e dando uma chance para que ele possa mostrar que não é mais o alcoólatra que tanto a magoou. E Patti, saindo de um casamento desgastado, onde não era valorizada pelo marido, precisa de alguma forma, se encontrar novamente, para então poder ser feliz com seu verdadeiro amor.

Já Brian, é o típico “cara” legal, que sempre estará apoiando a mulher que ama, mesmo que pra isso precise ignorar um pouco seu sentimento. Quando ele percebe que pode ser feliz com ela, tenta de todas as formas estar junto dela, o problema é que ele também está se preservando para não sair magoado quanto a primeira vez. E Murphy tentando recuperar a sua dignidade perdida por conta da bebida. E isso o faz querer pedir desculpas a todos que magoou, principalmente sua melhor amiga e a mulher que ele ama.

O bom do filme é que ele mostra que as pessoas erram, não são perfeitas, mas que mesmo assim, elas devem merecer uma segunda chance para reparar aquele erro. Mostra as reviravoltas que, às vezes, o destino prega em você e o quanto você ainda pode ser feliz com isso. É só não se fechar ou se isolar quando isso acontecer.

A trilha sonora, movida por baladas gostosas de escutar à dois, ajuda a compor o clima de romance que paira no filme inteiro. A delicada direção do Burns mostra que, além de um ator sóbrio no que faz, é um diretor com uma visão delicada que consegue captar a emoção que o personagem (E não a interpretação do ator) está sentindo.

Segunda Chance para o amor é um filme que deve ser visto não somente por mulheres solteiras em datas próximas do dia dos namorados, mas por todas aquelas pessoas que têm a delicadeza necessária para entender todas as nuances de um filme assim.

Vanessa.

Sexta-feira, Maio 4

Juízos de Valores


Quantas vezes, na sua reles existência, você não deparou com algum juízo de valor? As pessoas julgam você pelas mais variadas coisas sem nem conhecer você direito, ou sem saber o que te faz tão mal assim? O que pode ser ruim pra um, é completamente banal pra outrem... e justamente por esse pequeno detalhe você é julgado a ser apedrejado em plena praça pública... Agora, o julgador sabe ao menos o que você está passando? Pelo que tá sofrendo? Engraçado... Não sabe... Ele pode ter uma ideia, mas saber com exatidão e clareza? Nunca...

Tá, até concordo que não é legal descarregar nos outros seus problemas, concordo e reafirmo essa premissa, mas, se tá tão ruim assim, porque diabos, você ainda está ao lado dessa pessoa? Afaste-se, é a melhor saída, mas nunca julgue ninguém por nada. Mas eu garanto uma coisa, a pessoa julgada estará muito melhor sozinha do que com você.

É fácil sair julgando o mundo, né? Muito fácil achar que a sua vida é exemplo ao ponto de fazer você julgar todos a sua volta. Quando vamos ver a vida desse mesmo julgador, a vida dele é tão ruim quanto, ou até mesmo pior que a nossa... Mas ele se acha tão perfeito ao ponto de sair julgando cada atitude que você tem na vida, julga e o pior... Condena!

Vai lá, seja homem o suficiente pra ficar no lugar daquela pessoa, passe VOCÊ pelo que ela está passando, vamos ver se você tem o “colhão” forte pra aguentar aquele fardo, porque, posso não saber se acredito em Deus ou não, mas se tem uma coisa que eu SEMPRE concordei, é que Ele nunca manda pra você um fardo do qual você não possa carregar... O SEU fardo, não o de outrem. Vai lá, fica no lugar dele pra ver o que ele tá passando... Se VOCÊ, julgador, conseguir segurar firme sem cair, aí sim, talvez você até possa fazer qualquer tipo de julgamento, mas antes disso?

Claro, eu não estou me esquivando deste texto. Já estive nos dois lados, tanto no de julgador (que depois eu fui lá e pedi desculpas – coisa que eu raramente faço) e no lugar do julgado... O engraçado? É que ultimamente, tenho estado mais no banco dos réus do que em qualquer outro lugar... Agora eu fico me perguntando, se estão me julgando, será mesmo que gostam tanto assim de mim como ficam vomitando? Tais atitudes me fazem crer que não.

“A Vanessa é isso, é aquilo, é assado, é frito...” Etc, etc, etc... E geralmente os adjetivos são os mais “calorosos” possíveis. Adjetivos como “arrogante”, “fria”, “indiferente” e o mais novo veio dentro de uma frase “o único número que você entende é o $ (cifrão)”...

E esses adjetivos vieram das mais variadas pessoas... Alguns foram ditos diretamente pra mim, outros através de amigos meus... Mas o fato é que eu sempre acabo sabendo de que forma as pessoas ficam me julgando.

Ok, até concordo que sou indiferente mesmo. Não nego, eu sei ser indiferente de uma forma que as outras pessoas se assustam com isso. Não é fácil se aproximar de mim, não é fácil permanecer ao meu lado, eu sou contraditória mesmo, sou fechada mesmo, e não gosto de falar das minhas coisas pra ninguém. Primeiro, boa parte disso, é timidez, e não se enganem eu sou MUITO tímida, ao extremo, o que aparece na internet é diferente da minha vida real. Não trato ninguém mal, apenas sou calada no primeiro contato com as pessoas. Depois, eu sou assim por um simples e único motivo... NINGUÉM, e eu falo NINGUÉM tem caralho nenhum a ver com a minha vida! NINGUÉM que não pague minhas contas, não tem porra nenhuma a ver com ela! Então eu não saio falando sobre mim pra que todos saibam. O que eu posto nas minhas redes sociais, não é nem a ponta do iceberg, quanto mais ele todo.

Geralmente, as pessoas que acabam fazendo isso, são aquelas mesmas pessoas que tentam se aproximar de mim de qualquer maneira (Geralmente pelas maneiras erradas) e não conseguem muita coisa. Tratos a todos com muita educação (E quando eu falo educação não quer dizer que eu vá esconder a verdade), mas é só! Sim, existem aquelas pessoas que conseguem um pouco mais que um simples “oi” pela internet, conseguem estar comigo, sair comigo, para elas eu dou parabéns, pois as mesmas tiveram uma coisa chamada PACIÊNCIA, apenas isso. Chronos sempre dá um jeito de endireitar as coisas. Sempre. E somente ele para dizer quem vai ficar ao meu lado, ou quem não vai passar de “oi” nas redes sociais.

Vanessa

Sexta-feira, Abril 27

A Bienal da Floresta


A primeira Bienal do livro que acontece dos dias 27 de abril ao dia 06 de maio, começou com pontos positivos. A organização do evento está muito bem estruturada e os estandes estão oferecendo os mais variados títulos de livros.

Para o público que vai atrás de atrações, o evento está um pouco aquém das suas edições paulista e carioca, porém, as atrações que são apresentadas estão com uma qualidade interessante.

Na floresta dos livros, há contadores de histórias contando os ais variados contos infantis para divertir os pequenos. Para os pais, até o dia 06, há palestras com os mais variados autores. Na palestra de hoje, Thiago de Mello, autor do poema Estatuto do Homem e Márcio Souza, autor de vários livros, como Mad Maria, transformado em série pela rede Globo alguns anos atrás, nos brindaram com certo bom humor, da vergonha do fato do Brasil não dar tanta importância assim à educação.

Márcio Souza lembrou que na Inglaterra nos anos de Segunda Grande Guerra, o governo temendo uma grave retaliação, mandou crianças e jovens para o interior ou outros países colônia longe do caos todo, e que para melhorar um pouco a situação do país, criou-se o Ato Educacional. Esse ato fez surgir uma nova geração que culminou com o surgimento dos Beatles na música e revolucionou a literatura inglesa. O autor ainda frisou que “a leitura é uma escolha, uma liberdade”. Além de comentar que Manaus, com dois milhões de habitantes não tem uma biblioteca pública

Thiago de Mello, falou que “a leitura é um fator importante na vida de qualquer pessoa e que se deve ganhar um leitor de cada vez, presenteando-o com um livro.” Falou que quem o ajudou a se tornar poeta, foi uma professora de primário, que lia livros em sala de aula, fazendo com que os alunos lessem os parágrafos e comentassem o que entenderam.



Vanessa Carvalho.

Quarta-feira, Abril 25

Um fardo duro de carregar


Eu já tenho 27 anos. Não tenho dinheiro nem perspectivas. Já sou um fardo para meus pais e estou com medo. Então não me julgue Lizzie, não ouse me julgar."
 
Charlotte Lucas (Orgulho e Preconceito – Jane Austen)



Vocês já me viram falando muito sobre orgulho e Preconceito, me viram suspirando pelo Mr. Darcy, do quanto eu o acho perfeito e da Elizabeth Bennet, do quanto eu gostaria de me parecer com ela, pois ela é minha heroína preferida (Acho que todas as mulheres da minha idade, já sonharam em ser como ela)’, mas a personagem mais intrigante da história é a Charlotte. A descrição dela no livro, é de uma mulher solteirona, a beira dos trinta anos, que lhe falta beleza e dinheiro para poder arrumar um marido. 

Na época vitoriana, essas condições eram um pesadelo para toda e qualquer moça. Em contraste claro, com as meninas Bennet todas lindas que logo arrumariam um marido de boa condição social devido sua beleza. Então, Charlotte abstém-se da característica mais marcante das mulheres, o romantismo, pois ela mesma fala que não tem tempo para o romantismo, pois vê-se sem tempo para sonhar com o príncipe encantado. Então aceita a proposta de casamento com um homem do qual não ama, mas que pode lhe oferecer o conforto de um nome e um lar. O homem no caso é o idiota do primo de Elizabeth, Mr. Collins (Nos filmes ele é apresentado como um homem completamente sem atrativos, mas no livro, ele apenas não se dá bem com a família da protagonista).

Fiquei me perguntando quantas mulheres se sentem uma Charlotte, pois muda o tempo, mas algumas regras universais não mudam... Quantas mulheres não acabam se casando com pessoas das quais não nutrem nenhum tipo de sentimento apenas para não ter que ficar sozinha? E pelos mais variados motivos? Seja porque  elas deixaram de acreditar nessa coisa mágica que é o tal amor [e nessa categoria eu me encaixo], seja porque é a única saída para uma vida melhor?

Não se enganem, ainda há sim várias Charlotte no mundo, e não são poucas. Lembro que, lendo o livro, eu tinha pena dela, pois ninguém merece um destino como o dela, mas sabem? Eu entendo perfeitamente a atitude dela, chega uma hora na vida da gente que a gente se pergunta: E agora? E é essa pergunta que assombra muitas pessoas a vida inteira... Você se sentir perdido na sua vida, não ter dinheiro nem perspectivas na vida, realmente não é bom!

Então, quando a pessoa encontra uma saída para essa confusão toda que sente dentro de si, sempre vai existir alguém para julgar suas atitudes, porque, por mais que ninguém seja perfeito, exige-se perfeição por parte das outras pessoas, o que acaba piorando bem mais a situação das pessoas.

Um conselho, evite julgar as atitudes das pessoas, tente entender porque certas pessoas são do jeito que são, sempre existe uma explicação... Caso você não tenha paciência para isso, apenas entenda, que, se ela é age de determinada maneira é porque existe um motivo, SEMPRE existe um motivo.

Afinal de contas, a Charlotte teve que abrir mão dos sonhos que tinha para poder resolver um problema que a acompanhava para que pudesse deixar seus pais felizes...

Vanessa




Domingo, Abril 22

Meu jeito de ser


1 - Nome completo: Vanessa Santana Carvalho
2 - Apelido: Nessa
3 - Cor favorita: azul, preto
4 - Time: Era pra ser flamengo.
5 - Data de aniversário: 28/01
6 - Onde mora: Manaus
7 - Programa de TV favorito: Filme
8 - O que você tem no mouse pad: não tenho mouse pad
9 - Cheiros favoritos: Tathy, Musk e Femme (Boticário)
10 - Pior sentimento do mundo: Inveja, Indiferença
11 - Melhor sentimento do mundo: amizade
12 - Dois defeitos seus: teimosa e indiferente
13 - Quatro qualidades: deixo meus amigos falarem
14 - Qual a 1ª coisa que você pensa quando acorda de manhã? “Que merda”
15 - é romântico (a)? Sim
16 - Montanha-russa: assustadora ou excitante? É legal...
17 - Caneta ou lápis? Depende da situação
18 - Quantos toques antes de atender o telefone? Depende do que eu estiver fazendo ou se estiver em casa, e claro, da pessoa rs.
19 - É amigo (a) do telefone ou só usa quando necessário? Já fui mais amiga dele, FATO.
20 - Comida? A boa
21 - Você se dá bem com seus pais? Sim
22 - Quem você tem como irmão? Valentina (irmã mesmo).
23 - Namorar ou ficar? Ficar não...
24 - Você tem muitos amigos? Os necessários
25 - Se você tem, como se sente quando rodeado por eles? Feliz, claro
27 - O que você mais gosta de fazer? Ver filmes; escrever e ler.
28 - Chocolate ou baunilha? Agora nem chocolate
29 - Sorvete preferido: Acho que é cupuaçu...
30 - Torrada ou bacon? Nenhum deles
31 - De quem você sente saudade? Da minha avó.
33 - Quem você levaria para uma ilha deserta? Minha máquina fotográfica.
34 - Qual seu signo zodiacal? Aquário ( só o melhor)
35 - Qual o seu poeta favorito? Vinicius
36 - Qual sua bebida favorita? Água e Coca zero
37 - Para tingir seu cabelo de uma cor, qual seria? Não gosto dessas coisas
38 - O que tem nas paredes do seu quarto? Tinta
39 - O que tem debaixo da sua cama? Dois quadros dos quais quero me livrar.
40 - Você é destro (a), canhoto (a) ou ambidestro (a)? canhota
41- Qual seu número favorito? 2
42 - Noite ou dia? Depende pra quê...
43 - Qual é o carro dos seus sonhos? O meu
44 - Esporte favorito: pra assistir vôlei
45 - Um grande amor da sua vida: Miguel! Não há dúvidas quanto a isso.
46 - Está apaixonado no momento? Não.
47 - Está sendo correspondido?
48 - Vale a pena amar? ...
49 - Que você estava ouvindo enquanto respondia este questionário? Assistindo o jogo do Vasco contra o Flamengo.
50 - Melhor beijo: aquele que faz você sentir que o mundo ao seu redor simplesmente parou, ou pelo menos está mais devagar.
51 - Menino ou menina que você mais amou na vida: nunca sei o que responder nessa pergunta, pq nunca sei a conotação dela.
52 - Medo de alguma coisa? Tenho
53 - Se sim, de que? Sonhar com cobra.
54 - Um sonho: Londres
55 - Hora de dormir: depende do sono.
56 - Banda preferida: Jota Quest e Lifehouse
57 - Uma frase: As palavras, são na minha não tão humilde opinião, nossa maior inesgotável fonte de magia. Elas são capazes de ferir e de curar.
58 - Uma música: To the Sky – Owl City
59 - Uma mania: net
60 - Diga adeus agora: “Adeus agora”.

Vanessa

Quarta-feira, Abril 11

Uma história de amor - Parte 1


O tempo estava passando rápido. Vanessa não estava tendo tempo sequer de respirar direito, o que estava sendo vantajoso para ela nesses últimos seis meses. As coisas não estavam assim tão bem, ela não estava bem.

Nunca mais havia se sentido tão sozinha... Não nos últimos três anos de sua vida. Ainda mantinha contato com sua Júlia, falavam de tudo, da vida de casada de Júlia, dos preparativos da mudança para a casa nova que Pedro havia adquirido menos o assunto que mais importava. E Vanessa se esforçava todos os dias para evitá-lo.

A falta de Rafael em sua vida a torturava evitava inclusive, pensar nesse nome, pois somente a ideia da presença dele, já fazia o corpo de Vanessa reagir e a saudade apertar mais seu coração. Isso não era saudável. Precisava encontrar uma forma de se apaixonar pela pessoa com quem estava saindo agora. Ele era bom, mas...

O que mais doía era que ela sabia que provavelmente a culpa havia sido dela. Por mais que racionalmente soubesse que havia sido uma armadilha da antiga namorada de Rafael junto com o mau caráter do Carlos, ela sabia que não deveria acreditar no repentino arrependimento dele. Resultado? Uma capsula de Êxtase e sua vida mudou completamente. O que mais a amargurava era a constante lembrança do olhar de dor que Rafael ficou ao encontrá-los na cama. Outros tempos, outra vida... Uma vida feliz.

Naquele dia particularmente, Vanessa estava tentando fazer tudo no automático, iria sair com Júlia e Pedro, e por mais que apreciasse a companhia deles, sabia que era um processo doloroso, pois por mais que já estivesse namorando (Uma pessoa insistente com ela consegue algumas coisas, principalmente quando ela se mostra ser atenciosa e carinhosa), Gustavo não era Rafael.

Ao final do expediente, Vanessa fechou a porta de seu escritório e se dirigiu à garagem. Depois de romper com Rafael, preferiu sair da sociedade. Júlia estava fazendo um bom trabalho e a livraria já estava com duas filiais espalhadas pelo Estado. Todas as vezes que via o comercial, sorria feliz.

Gustavo a estava esperando, e os dois foram para casa. Era um apartamento pequeno, de dois quartos... Simples como ela. Um dos quartos transformou em um pequeno escritório, onde passava horas do seu dia apenas trabalhando ou navegando pela internet. Mas naquele dia ela não teria tempo de olhar os e-mails dos clientes, eles dois já estava atrasados para o jantar.

Ao chegarem ao restaurante, logo avistaram Júlia e Pedro. Pelo olhar deles, ficou claro que a  presença de Gustavo na vida da Vanessa não era bem recebida. Ele era divertido, mas eles queriam vê-la com Rafael e mais ninguém.

Porém, Júlia e Pedro se esforçavam para que ela se sentisse confortável e tratavam Gustavo como se fosse da família. Pedro e ele até encontraram afinidades... Futebol, basquete... Gustavo se mostrou um conhecedor fantástico de baseball, coisa que Pedro sempre tentou entender. Em uma hora, Gustavo conseguiu mostrar o quanto o esporte era divertido.

Você conhece bastante baseball, estou impressionado” – E Pedro não era o tipo de cara que se impressionava com qualquer coisa. “Em outros tempos, Rafael iria ser seu amigo...” – Pensou.

Ah, nada... Isso é apenas resultado do meu intercâmbio do colégio. Fiquei numa cidade pequena, e por lá, ou se jogava futebol americano ou baseball. Como nunca gostei de futebol americano, optei por baseball. Confesso que é um vício.” – Gustavo estava tentando se mostrar simpático. Sabia que era importante para a Vanessa.

Vanessa e Júlia estavam conversando sobre o apartamento, mas as duas estavam travando uma conversa silenciosa em suas mentes. Vanessa estava louca para saber de Rafael, mas ao mesmo tempo tinha medo de saber coisas desagradáveis. Júlia estava querendo falar que ele estava morrendo de saudades, querendo encontrá-la, mas a aparente indiferença da amiga a fez recuar. Ela conhecia a Vanessa, sabia que não era de insistir por muito tempo. Tentou explicar o acontecido a Rafael, que tomado pelos ciúmes, raiva, tristeza a expulsou de sua vida. Aquele ato impensado mudou a vida de duas pessoas que se amavam.

A noite correu agradável. Pediram seus jantares, bebidas e se divertiram. Para Vanessa foi apenas mais uma. Em sua cama, com aquele homem deitado ao seu lado, sempre adormecia lagrimando, lembrando o calor do corpo de Rafael.

Amor, eu vou ter que viajar” – Gustavo falou quando chegou do trabalho no dia seguinte.
Viajar? Mas, pra onde? Por que?”
O Leonardo... Ele me mandou no lugar dele. Parece que ele teria que ficar em São Paulo por duas semanas, e como a esposa dele está perto de ter neném, ele me pediu para substituí-lo. Desculpe, sei que estávamos pensando em dar uma escapada esse final de semana.”
Não se preocupe, vou sobreviver a essa grande tragédia na minha vida.” – Vanessa falou sorrindo.

Mas ela não estava muito feliz com a ideia de ter que ficar duas semanas sozinha naquele apartamento. O que ela menos queria, era ficar sozinha. Pensou em ligar para Júlia, mas desistiu da ideia. Era uma garota grandinha, já estava na hora de perder esse medo de ficar sozinha.

No dia da viagem, Vanessa foi junto com Gustavo ao aeroporto. Este prometera ligar sempre que possível, mas seria mais prático para ele, mandar e-mails, pois, de qualquer lugar ele poderia fazer isso. Com um beijo de despedida, Gustavo entrou na sala de embarque.

Vanessa ainda ficou parada até perdê-lo, virando-se para ir em direção ao seu carro. De longe, ela era vigiada por um rapaz de olhos castanhos esverdeados completamente extasiados de saudades. Rafael estava no aeroporto para deixar os novos clientes da livraria. Mal acreditou quando avistou Vanessa passando com um típico nerd do lado. O leão do ciúme, adormecido desde que mandou a mulher de sua vida embora, acordou assim que os viu. Pensou em ir tirar satisfações, mas lembrou-se da sua última conversa com ela.

“TUDO, TUDO O QUE EU HAVIA PEDIDO DE VOCÊ ERA FIDELIDADE E VOCÊ FOI A PRIMEIRA A ME TRAIR”.
“Rafa eu não...”
“NÃO VENHA ME FALAR QUE VOCÊ NÃO TEVE CULPA. VOCÊ ESTAVA NA CAMA, COM ELE, SUA...”.