sábado, agosto 25

Qual seria a verdade?


Era daquele tipo de grupo bastante unido, que estava sempre junto, todos rindo, se divertindo, sempre um apoiando o outro. Havia dois casais, todos sabiam que eles nunca se separariam, nasceram um para o outro, era difícil encontrar pessoas assim, mas eles eram assim, uma só alma em dois corpos. Havia ela, romântica, estressada, meiga, especial no final das contas. Havia ele, fiel companheiro, alegre, divertido. Eles eram melhores amigos, um confiava seus mais íntimos segredos ao outro. Melhores amigos, afinal de contas, servem pra isso.

Então ele arrumou uma namorada. O tipo de garota certa, delicada, educada, simpática e carinhosa. Encantou a todos, inclusive ela. Só que a namorada possuía um irmão... Irmão este totalmente diferente dela. Arrogante, prepotente, se achando melhor que todos somente pelo fato da família ter mais dinheiro que os outros. E ela o detestava. A imposição para o namoro deles dois foi que a namorada levasse o irmão para onde fosse, para que assim, quem sabe, ele não fizesse algum amigo. E a turma bem que tentou, mas era impossível fazer amizade com alguém daquela forma.

E ela era quem mais o detestava. Odiava a presença dele. Como alguém pode ser tão diferente assim de um irmão? Com o passar do tempo, a cabeça dela foi ficando cada vez mais confusa. Tão confusa ao ponto de começar a acreditar que estivesse apaixonada pelo seu melhor amigo. E isso a estava matando. Ela gostava da namorada, gostava verdadeiramente... Então, por tudo isso e mais o medo de perder a amizade dele para sempre resolveu esconder isso. O problema era que ela não era uma boa mentirosa. E o irmão vivia provocando-a. Eles brigavam sempre.

Um dos casais, talvez o mais sensível deles, notou a situação e foi conversar com ela. E ela chorava sempre no colo deles. Chorava de soluçar. Só que, com o passar o tempo, notara que aqueles sentimentos eram apenas confusão. Ela gostava de alguém do grupo, mas não era o melhor amigo. Mas eles tinham que sorrir para o grupo. Também odiavam o irmão, principalmente quando ele jogava indireta falando mentiras em relação aos sentimentos dela.

O que ninguém sabia, era que o irmão se apaixonara por ela assim que a vira, mas sabia, que pelo seu temperamento, jamais conseguiria nada com ela. Então tentava chamar sua atenção de todas as formas que ele conhecia... Formas erradas, mas funcionava. A coisa toda mudou quando ele notou um olhar diferenciado dela para o namorado da irmã. Como, ele, sendo tudo que era, não conseguira conquistar o coração daquela garota e um cara menos qualificado não só conseguira conquistar o coração de sua irmã como da garota que ele amava?

Foi quando, numa coisa de bebedeira, já sem conseguir guardar mais todos aqueles segredos começou a falar mais do que deveria. Soltou o segredo dela. Falou que ela estava apaixonada pelo namorado da irmã. Houve a seguir aquele tipo de silencio constrangedor que ninguém gostaria de presenciar. Então o falatório começou... Uns rindo dele, outros rindo da irmã e seu namorado, mas todos, TODOS rindo dela, do quanto ela era tola ao se apaixonar pelo melhor amigo. Ela no centro, tentando avisar que nada daquilo era verdade, que eram apenas delírios de um bêbado... Foi quando o namorado a julgou, de todas as formas possíveis... Chamando-a de falsa amiga, sonsa e coisas do tipo. Os únicos que correram em socorro dela foi o casal que conhecia seu segredo. Ele tratou de calar o irmão... Ela a tirou de lá no mesmo instante. Ele falou para todos que aquele tipo de comportamento não era de quem era amigo, pois eram para eles acreditarem nela, não em um bêbado arrogante.

O tempo passou e ninguém mais soube noticias dela. O melhor amigo ligava todos os dias na intenção de pedir perdão. A namorada para pedir desculpas pelo irmão. Ela apenas ia de casa para o trabalho, do trabalho para a aula e da aula para casa. Não vira mais ninguém... Até numa noite. Estava chegando em casa e o avistou parado na frente da casa dela. A raiva quase a fez passar com o carro por cima dele. Ao tentar abrir a porta ele se aproximou:

- Estou tentando falar com você esse tempo todo e não consigo. – Ele começou a falar, mas só recebeu o silêncio como resposta. – Merda, me responda. – Falou ele gritando. – Eu estou tentando pedir desculpas.
- Então peça! – Ela falou mais ríspida do que desejava. Nem ela sabia o quanto estava com raiva dele. – Você não tem condições para falar essa palavra... Você nem sabe o que é pedir desculpas. Você fala o que fala na festa, faz todo mundo ficar contra mim e acha que vai ficar tudo bem?
- Eu estava bêbado... Mas droga... O que você e minha irmã viram naquele cara final de contas?
- Aquele cara... – Ela estava discutindo com ele. Mas desta vez algo estava diferente. Ela não estava com raiva por ele ter feito o que fez, ela estava com raiva por ele não acreditar que o que ela sentia pelo amigo era apenas amizade. Resolveu ficar calada, até porque, as lágrimas começaram a molhar seu rosto. – Esqueça, você não acredita em mim mesmo.

Ele, a vendo chorar, se quebrou por dentro. Doía vê-la chorar, e doía mais ainda sabendo que ele era a causa disso. Timidamente começou a enxugar as lágrimas dela. E a beijou. No início ela tentou se afastar, mas depois... O beijo a envolvendo notara que era por ele que seu coração batia verdadeiramente. E o amor não dito explodiu num beijo intenso, romântico e apaixonado.

Vanessa

Um comentário:

Raquel Emanuele Clois Forever disse...

Uau, isso foi um esboço de um verdadeiro romance, desses que mexem com a gente de forma que nao dá pra definir nada, apenas sentir e sentir. Fascinante, vc escreve divinamente bem.