segunda-feira, fevereiro 13

Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui.

Como começar a escrever sobre aquele que talvez seja o dia mais importante da minha vida? O final de uma caminhada de 11 anos. É isso mesmo, ONZE ANOS. Em 2006 eu estava me formando em Direito, depois de uma faculdade completamente conturbada, de inclusive brigas com uns professores e perseguição de outros. Amigos que vieram, amigos que se foram, pouquíssimos que sobraram... Como tudo na minha vida, a faculdade foi motivo de lágrimas e desgostos e tensões. Mas, eu guardo com carinho aqueles anos. Sempre que eu lembro deles eu sorrio. 

Quando comecei a estrada da OAB eu não tinha a maturidade para enfrentar tal caminho. Porque, não se enganem, é preciso maturidade (Coisa que não nos ensinam em 5 anos) para enfrentar a OAB. Se você não tiver consciência suficiente, ela vai te engolir, e vai te jogar no chão. E foi isso que aconteceu comigo. Ela me jogou no chão e eu permiti que ela me deixasse lá por tempo demais...

Ela me fez duvidar da minha escolha, duvidar de mim, nenhum elogio que eu recebesse era suficiente, pois eu estava derrotada. Estava no chão. Enquanto eu estava no chão percorri outros caminhos, caminhos esses que descobri coisas maravilhosas, pessoas que vão estar para sempre em meu coração, pessoas que me magoaram tanto que nem o tempo é capaz de curar... E... Por incrível que pareça... Isso me fortaleceu de alguma forma, engraçado, não é?

Em 2014 eu tomei uma decisão, levantei a cabeça e pensei “Por que eu tenho tanto medo assim da OAB? Logo eu, que no meu último período estava fazendo NOVE MATÉRIAS (Incluindo a Monografia) e consegui passar em todas. Eu preciso apenas tomar vergonha na cara e sentar para estudar, como fiz naquele meu último período. ” Então, foi o que eu fiz.

Lá fui eu, voltando depois de alguns anos afastada do direito (Me afastei completamente desse caminho) e tive que reaprender coisas que me eram tão simples. E claro, aprender, não somente coisas novas, mas a estudar. Eu não sabia estudar. Ninguém sabe estudar quando termina a faculdade (Isso é outra coisa que não ensinam você nos 5 anos que você fica por lá). 

O cursinho... No início era a melhor ideia, mas com o passar do tempo, comecei a ver que o ritmo de onde eu estava, não era algo confortável. Por N motivos, eu me sentia cada vez menos capacidade para a prova, e era um sacrifício ter que ir para a aula. Outra vez a dúvida me bateu à cabeça se era isso mesmo que Deus queria para a minha vida.

Desisti de ir às aulas, novamente. Não de fazer a prova. Afinal, 220 reais não podem ser jogados fora. Então, começou a minha peregrinação pelos N cursinhos de Manaus. Alguns eu já conhecia, de vezes passadas, mas eu sabia que não eram as melhores opções.

Vejam, foi 2014 todo e 2015 quase todo na peregrinação, mas sempre voltava para o mesmo local. Então, na OAB XVIII encontrei um cursinho aqui perto da minha casa, em uma grande faculdade. Encontrei pessoas (AMIGOS) preciosos e professores fantásticos. Eu estava confiante. O resultado foi decepcionante. Um murro no meu estômago. Ainda mais por ver que pessoas menos merecedoras haviam logrado êxito. Novamente o pensamento em desistir.

Então uma pessoa abençoada por Deus, veio falar comigo. Meu professor de Direito Administrativo (Vejam só, uma das matérias que eu mais tinha dificuldade, com um dos professores mais S2 que eu já conheci) sem nem ao menos saber desse meu pensamento, veio falar comigo, e me encorajou a não desistir.

2016 começou, novo cursinho na cidade, novo ambiente, alguns novos professores (Talvez o que mais me motiva hoje em dia, engraçado que quando eu raciocino que fez apenas um ano que eu o conheço...) e nesse cursinho, eu encontrei não só pessoas queridas, como a minha segunda casa. Uma família, como costumamos a falar. Estudei, mas com aquela sensação de que talvez não fosse bem, pois estava cansada, afinal de contas, estava sem parar desde 2014. Resultado da OAB XIX? 39. Só Deus sabe a festa que eu fiz quando eu vi essa pontuação. Afinal de contas eu era capaz, faltava apenas um ponto para a tão sonhada aprovação. E aquilo me motivou. Novos professores, nova didática em Penal (Matéria que até hoje acho difícil e complicada), Tributário (Que era um motivo a mais para ir para a aula =x) e Constitucional (Sou suspeita pra falar sobre essa matéria e sobre o professor. Vou me abster senão vou chorar e não vou terminar o texto).

Fui para a OAB XX. E como eu estudava. Estudava todos os dias, o dia todo, sem perder aula. Alunos novos, lugar novo (Pertíssimo de casa, por sinal), todo o universo estava conspirando positivamente. Mas eu ainda não confiava em mim. Nessa OAB, errei uma questão que eu sabia, pasmem de Constitucional, aquela do artigo 67 e troquei mais outras duas. 39 novamente, mas tudo bem. Agora que eu estava tão perto, nem lembrava do significado da palavra desistir.

Então veio a OAB XXI. E com ela um problema a mais: Corpo e mente EXAUSTOS. Isso porque, as duas OABs anteriores eu não parei, esperando recurso engatei duas segundas fases, em Constitucional, obviamente. Então, quando recomecei a primeira fase já vinha com uma bagagem bem pesada. Estudava, mas logo me cansava, Dorflex e dipirona eram meus companheiros constantes. Noites quase não dormidas. E o nervosismo de falhar novamente. Abandonei, por completo, a pouca vida social que eu tinha. Deixei de ir ao cinema (Imaginem só), namoro. Isso é de comer? Engordei cerca de 10 quilos. Perdi aniversários de pessoas importantes na minha vida, pessoas se afastaram de mim, outras não entendiam e me chamavam de louca, de incapaz, de “burra” (Sim, assim mesmo), mas eu iria sentar e chorar? Até acontecia, mas depois eu levantava, sentava na cadeira da sala e estudava novamente. 

No dia da prova, TUDO ISSO resolveu explodir. Por mais que eu tentasse me acalmar, eu não conseguia. E se não fosse pelos meus dois pilares (O Professor Hiran e o meu querido Neto) eu não teria tido forças para levantar e fazer aquela prova. Durante a prova eu só lembrava do Professor Hiran falando no meu ouvido que essa seria a última vez que eu faria a 1° fase. Foi com essa segurança que fui fazer a prova.

Então veio a aprovação. 41, com as anulações fiquei com a nota final 42. Na prova que foi considerada a mais difícil em toda história da banca da FGV. Eu demorei a acreditar. Eu demorei a raciocinar. Mas quando isso aconteceu? Parti para a segunda fase. Numa época que é considerada a pior de todas, no final do ano. Passei natal e ano novo estudando a ação Civil Pública (Que foi a peça da minha prova) e Controle de Constitucionalidade. Sim, mal estava dormindo, mas estava na segunda fase.

Amanhã sairá o resultado. Não sei se será positivo ou não (Caso negativo eu ainda tenho uma segunda chance que eu sinceramente espero não ter que usar), mas que eu sinceramente torço para que amanhã eu possa gritar... chorar, comemorar e... Tomar o primeiro porre dos meus 40 anos de vida.

De qualquer forma... Meu caminho está quase no final, e isso me faz um bem danado.

3 comentários:

Celeste Bentes disse...

Essa Vitória é sua com certeza!

Gabriela Santos disse...

No tempo certo... no tempo de Deus... te amo amiga!

Luciane Ituassú disse...

Emocionada com o texto, entendo cada palavra dita e sabemos que amanha esse porre vai acontecer! Nao sou precipitada em te parabenizar... é a verdade oras! Pq? Pq vc sabe da tua capacidade, da tua garra, da tua vontade e sabe melhor do que ninguém que essa é sua hora de brilhar, poder olhar no espelho alguém que antes sonhava ser e hj vc simplesmente é. Te amo van, hj minha querida amiga. Nós do nosso jeito....nos entendemos e eles (neto e hiram) entendem a gnt ❤. ���� Que a noote de tensao de hj seja apenas um preparativo para a explosão de amanha!