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domingo, março 26

Sensações.

Há tempos ela não desligava do mundo. Era sempre correria. Ou estava estudando ou estava trabalhando. Sentia falta da época em que acordava na hora que teria que acordar, e não por causa do despertador. Naquele domingo, ela se deu esse tempo. Pessoas necessitam de uma válvula de escape... Ela costumava falar para as pessoas.

Pegou o primeiro livro que viu na estante. Com o tempo que estava longe dessa gratificante atividade, qualquer livro serviria, mesmo aqueles que ela jamais pensaria em ler. Preparou um lanche. O dia estava com a temperatura amena, então ela pensou em ir para alguma praça para passar o tempo e simplesmente ler.

Ao chegar ao local, procurou um banco com sombra para enfim poder esquecer de tudo que estava acontecendo em sua vida. Coisas nada boas. Então ela começou a ler e logo se perdeu entre as letras do livro. Ela não estava ligando muito para isso, tanto que nem lembrava do nome do livro, só sabia que era “o livro de capa azul”, como ela escutou tantas vezes quando trabalhou na mais famosa livraria da cidade.

E, como o universo era irônico, era um livro sobre relacionamento. Algo que ela não estava precisando. Ela queria algo com “... e viveram felizes para sempre.” Afinal de contas, era ficção, e na ficção há a obrigação de se ter finais assim. E seu temor aconteceu, ela se lembrava dele. E quanto mais ela tentava se ligar nas letras e palavras e frases do livro, mais ela lembrava dele. Fechou o livro. Ficou se xingando, pois poderia muito bem ter pego seu, já muito usado, exemplar de Nárnia, mas nem lá o final é tão feliz assim. Poderia ter pego Crepúsculo, mas ela nem se lembrava mais onde estavam guardados os exemplares.

Com o tempo a leitura ficou em segundo plano. Se levantou do banco e foi se sentar perto de uma árvore para que pudesse fazer seu lanche em paz. Não era nada muito requintado, basicamente um sanduiche com um suco. Se encostou na árvore e mesmo não querendo, ficou se lembrando do último ano. O relacionamento, que ela pensava que era forte, estava ruindo e ela nem sabia o motivo. Se culpava por estar trabalhando demais e estudando também, mas ela se recusava a acreditar que ele seria assim tão mesquinho.

Enquanto pensava, estava ouvindo músicas aleatórias. Lágrimas vieram aos seus olhos quando tocou a música que ele havia cantado para ela nos primeiros meses de namoro. O sentimento que ela tinha por ele era tão forte... Era tão... Sincero... E novamente ela estava com aquela sensação de aperto no peito. Novamente ela estava na mesma situação que ela se prometera nunca mais estar... Um leve desespero de ver que, mais uma vez, seus sonhos de formar uma família estavam ruindo. Se havia algo nesse tal amor que ela detestava, era que ele não podia ser controlado. Ela odiava isso.

Engoliu o choro com um gole grande de suco e fechou os olhos. Enquanto estava de olhos fechados com a cabeça encostada em suas pernas, ficou prestando atenção aos sons a sua volta. Há algum tempo ela treinava isso. Algumas pessoas passeavam tranquilamente, outras brincavam com seus cachorros e outras simplesmente caminhavam.

Um desses caminhar ela estranhamente sabia que era familiar. E aquilo deixou seu coração batendo mais forte. A última coisa que ela queria era ter que lidar com algum conhecido. Porém, os passos simplesmente foram se distanciando, para seu alivio. Quando deu por si, notou que estava chorando. Outra coisa desse tal amor que ela não gostava... Chorar. Mas a verdade era que ela estava triste havia meses. Todos os sorrisos que dava eram uma máscara.

Sem querer passar mais vergonha, ela levantou e foi se dirigindo para casa. Tinha sorte de que sua casa não era muito longe, logo, ela sempre que podia, ia a pé. Estava chegando em seu apartamento quando notou que havia esquecido a porta destrancada. Ficou com mais raiva de si mesma. Era para ser um dia para descansar, e não para lembrar da sua mais dolorida lembrança. Jogou as chaves no pote que havia no móvel da sala, jogou o livro em cima do sofá e foi para o quarto para tomar banho. Ao passar pelo mini escritório, tomou um susto.

Havia um grande arranjo de Margaridas, suas flores preferidas, em cima da mesa. Ela entrou com uma estatua pequena que tinha perto caso alguém ainda estivesse no cômodo. Não havia ninguém. O arranjo estava centralizado. Ele tem mania de perfeição – ela começou a pensar e logo balançou a cabeça, já que era impossível ele estar ali. Naquela hora ele estava do outro lado do mundo. Suspirou e pegou o cartão. Nem precisava ver o nome, ela conhecia a letra.

Enquanto lia, lágrimas rolavam por seu rosto. Lágrimas essas que ela tentava, em vão, controlar. O cartão com palavras lindas, daquelas que cortam seu coração aos poucos. Há cada palavra lida, seu coração doía mais. Como foi que ela deixou seu relacionamento chegar aquela situação? Ela sentia falta dele, sentia falta da organização exagerada dele, sentia falta dele reclamando dela por ser tão bagunçada em casa, ela sentia falta de ver como ele arrumava a mesa que estava enquanto falava ao telefone... E principalmente sentia falta das conversas madrugada a dentro, o que as vezes, eram mais importantes que o próprio sexo, o que aliás, ela sentia falta também. 

Cada pedaço do corpo dela sentia falta dele. Ele havia mandado aquele arranjo, com aquele cartão... Foi quando ela se levantou num susto. O cartão estava escrito à mão. Isso quer dizer que ele mesmo escreveu, pois ela reconhecia aquela letra perfeita. Isso quer dizer que ele estava na cidade. Que ele havia estado no apartamento... Mas... Por que ele não havia esperado? Por que ele não havia telefonado? Por que... 

- Oi! – Ela escutou atrás de si. Sentou como se todo sangue do seu corpo havia sumido. Se recusou a se virar. – Não vai se virar? – Ela sentiu as mãos dele em seu ombro.

Balancou a cabeça dizendo não. Estava com medo de que tudo aquilo fosse um sonho e que, quando se virasse e visse seus cálidos olhos castanhos, ela acordasse assustada, como muitas vezes aconteceu.
Ele apertou mais forte, porém ainda suave, seu ombro e foi abraçando aquela mulher que estava na sua frente. Por alguns meses ele sentiu falta dela, tanto que havia se tornado respirar. E ele a conhecia, sabia que ela estava se sentindo sozinha. Logo ela que detestava se sentir assim e isso o machucava. E para poder preservar seu beija-flor, ele cada vez menos entrava em contato com ela. Não enquanto não resolvesse o que fazer. O cargo dele, presidente regional de uma grande multinacional, poderia trazer estabilidade financeira, mas não podia deixa-lo perto dela que em tão pouco tempo havia tomado conta de cada célula de seu corpo. Então... Depois de seis meses, não foi difícil tomar a decisão. Ele só precisou esperar seu substituto chegar.
Ao ve-la entrando pela porta, sabia que havia tomado a decisão certa. Ele a virou lentamente.

- Abra os olhos. Eu estou aqui. Com você.
- Você não entende... Sonhei tanto com isso que eu estou com medo de que... – Ela não conseguia terminar de falar. Lágrimas rolavam novamente pelo seu rosto. E ele sabia que ela se culpava. Tola. Era por isso que ele a amava tanto.

Antes que ela sequer pudesse pensar em mais alguma coisa para falar, ela sentiu o calor dos lábios dele nos seus. Um beijo que ela desejava mais que tudo. 

Naquele momento, não havia mais nada, apenas duas pessoas e um só coração.

domingo, agosto 19

Você, sonhei novamente com você.


Olhos castanhos. Seus olhos castanhos foram as primeiras coisas que eu consegui enxergar desta vez. E você deve saber o quanto olhos castanhos me encantam. Cabelos escuros, alto e branquinho... Foi assim que, desta vez, você apareceu para mim em meu sonho. E você sabe o quanto eu gosto de sonhar com você... 

Sinto, apenas que às vezes, os espaços de tempo são grandes demais. Eu estava em sua van (Ou trailer, algo assim) averiguando uma cidade fantasma
.
Essa cidade ficava no meio de um deserto, então, as cores do meu sonho puxavam muito para o amarelo, laranja e vermelho, principalmente quando o sol estava se pondo. Mas o amarelo/âmbar predominavam. Procurávamos alguma coisa. Estávamos atrás de algo que pudesse fazer com que as constantes tempestades de areia diminuíssem e as pessoas pudessem voltar às suas casas. Víamos uma espécie de castelo, do qual você se apaixonou... Eu estava sempre no banco de trás anotando as coisas, tirando fotos, e te auxiliando.

Então, você sorri pra mim, e foi ai que eu perdi meu foco. Só conseguia enxergar seu sorriso e sentir seu abraço. Abraço este que eu morria (E morro de medo) de nunca mais ter novamente, de perder para sempre... Ficávamos um nos braços do outro juntos, provando que juntos éramos mais fortes que separados.

Sabe o que eu acho engraçado, bom e triste ao mesmo tempo? É que... Se você é apenas criação da minha cabeça maluca, como pode através de um simples sonho, eu conseguir ser realmente e eternamente feliz?

Vanessa

quinta-feira, outubro 13

Direto do Tumblr

”Parabéns, você é o cara mais sortudo do mundo! Conseguiu ficar com a única estrela brilhante que tinha no meu céu. Aquela que eu passava horas e horas olhando e sonhando. Já que você foi bom o suficiente para fazer isso, espero que também seja bom o bastante para seguir algumas dicas:
Em primeiro de tudo, a abrace quantas vezes for possível, quanto mais, melhor. Principalmente quando ela estiver triste, e também, não a force a dizer o motivo da tal tristeza, ela odeia isso, mas ama abraços. Principalmente aqueles inesperados sabe? Faça ela sorrir o tempo todo. O sorriso dela é o mais lindo do mundo, você vai ver, é apaixonante. Ela não gosta muito de ser chamada de ‘linda’, acha muito ”clichê”. Por isso, chame-a de ”bebê”, ”princesa”, ”vida” e ”amor”; não se esqueça de colocar ‘minha ou ‘meu’ em ênfase  antes de todos esses apelidos ok? Não deixe ela fazer o que quer, ela é maluca! Se ela te chamar de ”bobo”, ”idiota”, ”besta” ou ”babaca”, sinta-se elogiado. Ela é romântica, mas não gosta de flores; prefere mensagens de madrugada, mesmo que a acorde. Ela também gosta de músicas tocadas no violão, ainda mais se você as cantar. E mesmo que você não cante bem, eu não sei, se esforce. Escolha músicas das bandas preferidas dela, ela sempre chora de emoção. No frio passe mais tempo ainda com ela; ela fica mais carente nessa época. Não demore para responder no msn, ela odeia esperar. E nunca pense em chegar atrasado na casa dela quando você marcarem de sair juntos, só os dois. Não exagere nas declarações, ou algo do tipo, ela não gosta de exageros. Ela tem uma mania de mexer no cabelo o tempo todo, não reclame. A diga que ela é perfeita de todas as maneiras. Ela é ciumenta, então se prepare; quando ela estiver te rejeitando, por mais difícil que seja, permaneça! A faça se sentir protegida, ela também gosta disso. E, por favor, cuide dela como nunca cuidou de um outro alguém. Ela não é qualquer uma, e bem, ela é minha prioridade. Você está com o meu mundo nas suas mãos. E se você a ferir de algum modo… Depois a gente resolve isso.E um último pedido: Torne-a a mulher mais feliz do mundo!” (showmeyourpain)

(Adorei essa carta que achei no Tumblr...)

sexta-feira, junho 10

Era um local completamente desolado. Não havia vivalma, principalmente naquela hora do dia. Estava se aproximando do meio dia e o sol já estava castigando sua delicada pele.

Ela não sabia como havia chegado àquele lugar, só sabia que precisava urgentemente se proteger daquele sol. O sol nunca fez bem a ela, e este estava conseguindo fazer com que suas poucas forças chegassem ao limite.

A cidade parecia uma cidade fantasma. As ruas estreitas, com suas casas pequenas e vazias fazia piorar a estranha sensação de abandono que ela sentia cada vez mais forte. Ela estava procurando por alguém. Alguém que ela conhecia, mas que não lembrava nem ao menos do rosto. Mas era uma presença constante em seu pensamento e em seu coração. Ao tê-lo em seu coração as coisas pareciam muito mais fáceis.

Mas não agora. Agora quanto mais ela andava por aquelas ruas debaixo daquele sol quente, mais ela se sentia sozinha. Ela chamava por ele em seu pensamento. Chamava para tirá-la daquele inferno. Ela nunca gostara de sol, e estar perdida em um local vazio e quente... – seus dois piores medos.

Uma lembrança de uma foto veio a sua cabeça enquanto ela chegava a um pequeno pedaço de sombra. Aquela lembrança estava apertando seu coração de maneira insuportável. A lembrança dele. Aqueles olhos castanhos que ao sorrir brilhavam de uma maneira que nem mesmo ele sabia. Um sorriso naturalmente encantador que ela seria capaz de ficar horas olhando pra ele. Um cabelo liso e castanho que ela mataria somente para ter a oportunidade de passar as mãos nele numa pele alva de quem não conhece o que é ficar debaixo de um sol quente.

“Preciso de você...” – Era o que ela estava pensando naquele exato momento.

No mesmo instante ela encontra uma porta aberta. Ela não quis saber se era seguro ou não, para fugir daquele sol, ela entraria em qualquer lugar, mesmo em um local completamente escuro, por mais que isso a assustasse muito.

Naquela casa escura, ela foi lentamente encostando-se à parede. Quanto mais ela entrava naquele cômodo, mais ela ficava assustada e sozinha. A pior coisa pra ela era estar sozinha. Era seu maior medo.

Ficou parada, respirando forte. Ficava escutando os sons que vinham lá de fora. Esses sons eram assustadores. Vozes desconhecidas, assustadoras, procurando por ela. Ela que tinha algo que eles estavam querendo. O seu coração.

Aquele coração puro, capaz de amar incondicionalmente... Mas agora esse mesmo coração estava alquebrado, machucado, sangrando... E isso a estava tornando-a fraca, por isso ela precisava fugir dali. Se esconder, desaparecer. Ir para um local seguro. E aparentemente aquela casa escura parecia ser o local mais seguro para ela naquele momento.

Silenciosamente ela pedia socorro. As vozes aumentavam cada vez mais e ela ficava cada vez mais assustada. Ela detestava se sentir tão frágil como agora. Agora que a lembrança daquela foto permanecia em seu pensamento, ela só queria estar nos braços dele. E isso só fazia aumentar cada vez mais a sensação de fragilidade.

As lágrimas começaram a cair de seus olhos. Péssimo sinal, isso avisava que ela estava se rendendo ao desespero, o que obviamente era potencialmente problemático. Quanto mais ela chorava, mais ela se encolhia no canto daquele quarto escuro. A casa estava insuportavelmente quente, e ela estava sentindo sua garganta seca. Ela precisava de água.

Começou a lembrar dos dias de outono. Não eram completamente frios como os dias de inverno. E suas cores amareladas sempre acalmavam sua alma. Ela desejava fortemente estar em um local com um clima assim... Mas o calor estava ganhando e ela estava ficando cada vez mais fraca.

As vozes agora estavam dentro daquela casa. Fraca do jeito que ela estava não conseguiria sair correndo. Ela se escondeu o máximo que pode abaixada ao lado daquela pequena cama. As vozes cada vez mais fortes, sinal de que eles estavam se aproximando do quarto. O desespero agora era completo.

“Onde você está agora? Por que não está comigo?” – Os pensamentos que ela tinha se resumiam a ele e ao som de sua doce voz. Seu doce sotaque, seu sorriso. Encostou sua cabeça em suas pernas soluçando silenciosamente pelo choro que não parava.

Estava perdendo a consciência. O calor estava ganhando. Ela não conseguiria sair daquele cômodo em segurança. Estaria entregue às mãos de seus algozes. Viu, de longe, uma luz entrando no quarto. A porta estava aberta e pessoas estavam entrando naquele quarto. Obviamente eles já a haviam avistado encostada ao lado daquela cama. As pessoas falavam, mas ela não conseguia entender o que diziam. Estava fraca demais para concentrar-se no que falavam.

Ela avistou um par de olhos quentes... Aqueles olhos... Ela conhecia aqueles olhos, mas não se lembrava de onde... Eles estavam passando tranquilidade... Mas não houve tempo para lembrar-se de onde ela o conhecia. Ao mesmo tempo em que sua consciência sumiu daquele cômodo, seus olhos se abriam para a calma claridade e clima ameno de sua cama. Fora tudo um sonho...

Ao olhar para o lado, a foto de um tempo feliz... Que não voltaria mais! A foto dele sorrindo...



Lobinha.