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quinta-feira, agosto 16

Uma pessoa substituta

Estudando agora, imaginem só Direito de Família, me veio uma imagem de eu completamente sozinha daqui uns anos, chegando em casa tarde da noite, depois do trabalho. Ou seja, no final das contas, lá, bem no final, eu vou estar sozinha. Isso é bem ruim, sabem? É bem sufocante essa sensação.
Esses dias, uma pessoa muito querida, me falou que as coisas seriam diferentes, bastava eu acreditar... Aí é que tá... Sou eu. Até confesso que bateu aquela semente, aquela pontinha BEM PEQUENA de esperança (mas ainda assim, uma esperança) de que realmente, tudo, no final das contas seria diferente, mas a verdade é que não há quem venha debaixo da minha janela ou varanda à noite tocando “don´t you forget about me” ou que saia na chuva apenas para me falar que mesmo indo contra todas as suas próprias expectativas queira ficar comigo. Por que, no final das contas, eu vou ser sempre aquela pessoa substituta, a coadjuvante.
 
Por várias vezes eu vi, nas páginas das redes sociais, que aquariano é aquela pessoa racional, que racionaliza todos os sentimentos e que no final é frio. Quisera eu que isso fosse verdade, porque... Eu sinto TUDO, da forma mais avassaladora que possa haver, de forma tão intensa que chega a dar medo. Eu queria não sentir nada mesmo. Tudo seria muito mais fácil. Onde está a droga do filme “Equilibruim”? Eu tomaria todos os dias pelo menos três doses apenas para garantir. Não correr o risco, porque... Esse buraco? Aquele sufocante? Tá crescendo... E eu já não tenho mais forças pra fingir que ele não existe. Ele existe, e está aqui dentro.
Para explicar melhor, aquela coisa dos contos de fadas dos corações puros? O meu tem uma enorme mancha preta que cresce a cada dia. É mais ou menos isso. No final das contas...
Então, aqui estou eu, entre lágrimas, leis e correções vou seguindo meus dias sem ânimo ou alegria; seja do gosto da comida ou da magia do cinema, esperando por uma mensagem, carta, sinal de fumaça... Esperanças de um amor que não vai chegar.

quinta-feira, outubro 5

Tudo estava bem.

E tudo, desta vez, estava bem. Quer dizer, agora ela havia chegado no ponto onde sempre quis e estava meio perdida de qual caminho seguir – na verdade, claro que isso a estava preocupando, ficar sem norte nunca foi uma opção para ela – mas agora, ela ao menos sabia que encontraria o seu caminho; no tempo dela, na hora dela, do jeito dela, ela encontraria o caminho, e tudo que havia passado, aprendera a não ligar para o que os outros insistiam em falar. Ela simplesmente aprendeu a ignorar tais dizeres. E tudo porque sabia que o pior já havia passado, pelo menos por enquanto.

No ritmo dela, aprendera a não “ouvir” o olhar dos outros em sua direção. Ela conseguira isso e era motivo de muito orgulho para ela. Lá no fundo, era claro que ela estava com medo do que poderia vir pelo futuro, já que todos sabem que o futuro é uma “astronave que tentamos pilotar”, sem muito sucesso. E isso dá medo, e mesmo quanto a isso ela estava tranquila, pela primeira vez na vida, ela estava tranquila. Quanto a isso.

Tudo estar bem era o problema, ao menos para ela, pois era justamente quanto as coisas estavam completamente bem que as suas maiores feridas foram feitas, pois seu mecanismo de defesa era quase que totalmente inexistente. Era quanto ela ficava mais exposta a tudo que se machucava. E mesmo sabendo disso, era impossível não ficar exposta, não se sentir “segura” quando as coisas estavam bem. E é justamente nessa fase que um velho conhecido dela aparecia... Ele fica por lá por dentro dela, lá no fundo, no cerne do coração dela, ele está lá, escondido, tentando se expandir ainda sem muitas forças para isso.... Ela o nomeara de Senhor Medo.

O Senhor Medo era tão poderoso que todos os outros medos dela sentiam medo dele. E ele era poderoso porque tratava de um segmento da vida dela que ela mais se sentia frágil: as pessoas. Pessoas que ela conhecera no meio do processo (E algumas até mesmo antes do grande processo – aquelas que permaneceram, claro) e que ela nutria um amor incondicional. Não amor sexual, não, esse amor, frente ao que ela sentia era banal. Esse amor, ela costumava dizer, era algo que nem mesmo o maior amor do mundo seria capaz de explicá-lo. Era uma força tão poderosa que ela carregava por tais pessoas que sentia, muitas vezes, que seria sufocada por ele de tão forte. E o Senhor Medo atacava esse ponto, implantando no coração dela, a sombra da perda.

Finalmente ela conseguira tudo que sempre havia sonhado, e conhecido pessoas que ela sabia que estão dentro do lugar mais privilegiado do seu coração e essa sombra teimava em querer entrar nesse lugar há muito tempo vago, mas que agora, havia inquilinos dignos dele.

Tudo estava bem e era exatamente por isso que o Senhor Medo teimava em romper o lacre. Todas as suas lágrimas durante aquele tempo eram resultado do Senhor Medo... Medo de perder... Tudo! Ela não estava mais disposta a abrir mão de nada nem ninguém. Ela não tinha mais forças para isso. Durante toda a sua vida, ela abriu mão de coisas e pessoas que ela queria que hoje estivessem por perto, a última vez, ela caiu tão fundo que chegou a pensar que jamais conseguiria sair do buraco que estava. Um buraco chamado vazio... Um vazio que a sufocava.

As noites mal dormidas, os choros abraçada na almofada, os pensamentos ciumentos horríveis (E ela não sabia lidar com ciúmes, era algo que ela não sabia lidar) e a insegurança constante, tudo isso era o Senhor Medo tentando se expandir.

Ela não poderia mais abrir mão de ninguém na vida dela, a última vez que fez isso, ela sentiu seu coração queimar e jurou nunca mais sentir isso. Ela não abriria mais mão daqueles que guarda no coração em um lugar especial.

Mas, por enquanto, tudo estava bem. E isso bastava.

Vanessa Carvalho – Autoral.

sexta-feira, agosto 11

Viva o dia 11 de Agosto.

Como as coisas mudam em um ano não é mesmo? São 365 dias, 525.600 minutos para refletirmos. Quem olha de fora, pensa que é muito tempo, mas na verdade não é não.

Ano passado eu lembro exatamente o que estava fazendo neste momento: estava correndo da sala para a cozinha para poder organizar a minifesta para nosso professor pelo dia do Advogado. Lembro que comprei um bolo e que, junto com uma colega, compramos uma luva para ele malhar (Ainda havia tempo para isso) e uma camisa para que ele pudesse usar quando fosse trabalhar. Lembro também do sorriso que ele deu quando entrou em sala e estava tudo arrumado (Ou quase, isso porque a pessoa não sabe esperar muito) e o “muito obrigado” completamente sem jeito que ele falou para gente.

Hoje, HOJE passa tanta coisa pela minha cabeça. Os dois dias da prova – um estava muito quente, chorei muito, o outro estava chovendo demais. Lembro que pensei que eu poderia estar em casa aproveitando a chuva, mas que estava alí fazendo a prova da minha vida. Engraçado como tudo vêm à cabeça como se tudo isso estivesse acontecido ontem. Lembro do dia seguinte à prova de segunda fase... E da enxaqueca que eu estava. Passei o dia inteiro deitada assistindo a Netflix, desenhos, e mais desenhos, penando ora que iria passar, ora que iria ter que ir pra repescagem (Esse segundo pensando, infelizmente vinha cada vez com mais força). Lembro do dia que saiu o resultado, eu estava assistindo a um jogo de futebol quando uma amiga minha soltou no grupo de Whatsapp que eu havia passado. Lembro que tremia tanto que não conseguia ver meu nome. Lembro também da primeira ligação que recebi (Do professor da surpresa, obviamente, me chamando de minha doutora) e eu sem poder responder direito de tanto que eu chorava. Lembro que eu agradeci tanto a Deus e nossa senhora que Ele deve ter pensando “Ok, para de agradecer que eu já sei disso tudo ai! ”.

Um ano depois daquela festa, eu quem estou recebendo felicitações também. E isso é tão estranho. Por mais que eu já tenha a minha há alguns meses, ainda não me acostumei com tudo que está acontecendo. É tudo tão mágico que parece até mesmo que estou sonhando. Foi tanta queda, tantas perdas, tantas renuncias que fica impossível de lista-las neste momento.

Mas ao final tudo valeu a pena. E o final aconteceu quando eu já estava sem forças, o final veio quando eu estava perdendo todas as esperanças, o final veio quando eu não conseguia mais caminhar, mais abrir mão, não aguentava mais fazer renuncias. Ele veio. E tudo aconteceu tão rápido. Daquele 27 de novembro para o dia 15 de março tudo aconteceu em apenas num piscar de olhos, tudo aconteceu em um sopro, em um simples inspirar/expirar.

Agora uma nova estrada se inicia. Uma estrada que ainda causa medo e pavor, mas uma estrada que eu estou disposta a trilhar, já que eu lutei muito para poder ter o direito para percorrê-la.

E o que eu digo para quem ainda está tentando alcança-la é: se você realmente quer isso, se seu coração realmente grita por isso, se quer mesmo trilhar esta estrada, NUNCA DESISTA. Sim, eu mais que ninguém sei o quanto tudo é complicado (Principalmente as renuncias), quanto sofremos, choramos, o quanto duvidamos de nós mesmos e do futuro, mas não desista. Desistindo, você não estará mais perto dela. Desistindo você não estará digno a ter o que quer que você sonhe. Desistindo você estará abrindo mão de um sonho. Não deixe esse sonho morrer. Não abandone TUDO o que você viveu até aqui. Não faça isso com você. Se você desistir DE VOCÊ, quem irá lutar em seu lugar?

Então, mesmo eu não conhecendo você (Ou conhecendo, sei lá...), mesmo não sabendo o seu nome, onde mora ou suas lutas diárias, saiba que eu estou e estarei SEMPRE torcendo para ver você andando esta estrada tão linda, mas tão complicada.

Paz. E para os que já estão no caminho, tenha um maravilhoso e belíssimo dia com o PJE funcionando e tudo.

Vanessa Carvalho.